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BIOSCOPIA

A reputação do diretor David Cronenberg como um autêntico autor se baseia numa trajetória sólida e singular, que inclui onze filmes para os quais ele mesmo escreveu o roteiro: Shivers (Calafrios), Rabid (Enraivecida na fúria do sexo), Fast Company, The Brood (Filhos do medo), Scanners, Videodrome, sua mente pode destruir, The Fly (A mosca), Dead Ringers (Gêmeos, mórbida semelhança), Crash, Naked Lunch (Mistérios e paixões) e eXistenZ. Além disso, dirigiu cinco filmes a partir de roteiros alheios: The Dead Zone (A hora da zona morta), M. Butterfly, Spider, desafie sua mente e, mais recentemente, A History of Violence (Marcas da violência) e Eastern Promises (Senhores do crime).

Graças à qualidade da sua obra, obteve vários galardões em diversas partes do mundo, tais como o grau de Doutor Honoris Causa em Direito da Universidade de Toronto, em 2001, e a nomeação como Oficial da Ordem do Canadá, em 2003. Foi investido cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, título conferido pela França em 1990, tendo sido promovido em 1997 a Oficial da mesma Ordem. Foi presidente do júri do Festival de Cannes em 1999 e, em 2005, foi apontado como “o homem do ano” pela revista GQ. Recebeu o prêmio Sonny Bono Visionary no Festival de Palm Springs e o reconhecimento pela obra completa no Festival de Estocolmo.

Nascido em Toronto no dia 15 de março de 1943, de pai jornalista e mãe pianista, quando ainda era criança enviava seus relatos de fantasia e ficçãocientífica para publicar em revistas. Embora nenhum deles tenha sido aceito, recebeu cartas encorajadoras dos editores pedindo que continuasse escrevendo. David Cronenberg ingressou na faculdade de Ciências da Universidade de Toronto, mas um ano depois resolveu se transferir para o curso de Língua Inglesa e Literatura, no qual se formou em 1967. Na sua época de estudante, interessou-se pelo cinema e produziu dois curtas-metragens em 16 mm, Transfer e From the Drain. Seus primeiros filmes em 35 mm foram Stereo e Crimes of the Future (Crimes do futuro), ambos rodados no final da década de 1960. Nessas obras iniciais, já aparecem alguns dos temas e preocupações que caracterizariam seu trabalho posterior.

Em 1975, o cineasta rodou seu primeiro filme comercial: Shivers ou Calafrios. De fato, na história do cinema canadense, foi um dos filmes que mais rápido recuperaram seu investimento. Seu trabalho seguinte, Rabid ou Enraivecida na fúria do sexo, realizado dois anos depois, arrecadou sete milhões de dólares com um custo de quinhentos mil, dando-lhe um impressionante retrospecto em termos econômicos. Em seguida, dirigiu um filme sobre corrida de carros, Fast Company, parcialmente inspirado em sua própria paixão pelos automóveis. The Brood ou Filhos do medo foi seu lançamento de 1979, estrelado por Oliver Reed e Samantha Eggar. Um filme psicologicamente intenso, não mais orientado para a ação, com caracterizações bem delineadas e imagens marcantes que atraíram a atenção de muitos críticos. Essa obra representou um marco artístico notável para David Cronenberg, e o levou a realizar filmes mais ambiciosos e com maiores orçamentos. Foi assim como surgiu Scanners, que focaliza os poderes telepáticos de um grupo clandestino da população. Esse filme foi direcionado a uma platéia mais ampla que suas realizações anteriores de terror e fantasia, e se tornou o maior sucesso da sua carreira até esse momento. A revista Newsweek comentou o seguinte: “um canadense de 37 anos de idade... coroando a sua ascensão de cinco anos rumo ao topo da cena dos filmes de terror”. Na sua semana de estréia, a revista Variety listou o novo lançamento de Cronenberg como o primeiro na bilheteria da América do Norte.

Seu filme seguinte foi Videodrome, protagonizado por James Woods e pela estrela do rock Deborah Harry. Lançado no começo de 1983, foi celebrado por Andy Warhol como “a Laranja Mecânica dos anos oitenta”. Em 1993, Videodrome saiu da esfera cult para conquistar o mercado cyberpunk que na época se tornara dominante. O filme trata das ações de uma organização clandestina que usa a televisão como uma arma extremamente poderosa. Explorando os limites pouco nítidos que separam a realidade da imaginação, o filme é uma sátira high-tech e sombria que envolve violência, sexualidade e terror biológico. Uma série de temas que já tinham se tornado habituais na filmografia de David Cronenberg.

A hora da zona morta seguiu em 1984, com base num best-seller de Stephen King. Financiado por Dino de Laurentiis, foi lançado pela Paramount e estrelado por Christopher Walken, Brooke Adams e Martin Sheen. É uma história alegórica de enfrentamentos do bem contra o mal, que gira em torno do destino de um homem amaldiçoado pelo poder de enxergar o futuro daqueles a quem toca. No conjunto da obra do cineasta canadense, trata-se do filme que mais se aproxima do estilo hollywoodiano. Ainda assim, é possível identificar nele certas particularidades estéticas do diretor. E, de fato, o longa-metragem conquistou três dos cinco prêmios do Festival de Avoriaz, além de obter sete indicações para o prêmio Edgar Allen Poe nos Estados Unidos.

Foi então quando Mel Brooks o convocou para dirigir The Fly ou A mosca, protagonizado por Geena Davis e Jeff Goldblum para a Twentieth Century Fox. Esse filme foi um imenso sucesso, tanto de público como de crítica: recebeu inúmeros galardões e distinções, incluindo um Oscar pelos melhores efeitos especiais e de maquiagem, e dividiu o prêmio do júri no Festival de Avoriaz. Trata-se da remake de um filme clássico de terror realizado originalmente em 1958, que narra a história de um cientista cujos genes e moléculas se fundem com os de um inseto durante a realização de um experimento. A nova versão do relato é, ao mesmo tempo, uma obra-prima do terror e da fantasia, e uma eloqüente história de amor. A mosca também marcou a segunda aparição de David Cronenberg como ator, tendo sido a primeira em Into the Night ou Um romance muito perigoso, de John Landis. Nesse caso, seu papel é o de um ginecologista que aparece numa seqüência aterrorizante protagonizada por Geena Davis.

Essa especialidade médica veio à tona, mais uma vez, em Dead Ringers ou Gêmeos, o thriller psicológico estrelado por Jeremy Irons e Genevieve Bujold, sobre dois irmãos gêmeos que trabalham como ginecologistas e são apaixonados pela mesma mulher, com resultados trágicos. O filme representou um ponto de inflexão para Cronenberg. “Gêmeos não é ficção-científica, e o elemento de fantasia que aparece na maioria dos meus filmes não está presente”, afirmou o próprio diretor, e acrescentou: “é bem mais naturalista”. De todo modo, a obra ainda explora o fascínio do cineasta pelo lado mais sombrio do psiquismo e do comportamento humano. Nessa ocasião, obteve o prêmio de melhor diretor por parte dos críticos de cinema de Los Angeles.

A atuação voltou a chamá-lo em 1989, quando protagonizou Nightbreed ou Raça das trevas, um filme de terror dirigido por Clive Barker. Nessa trama, David Cronenberg interpreta um psiquiatra que convence um homem de que ele é o responsável por uma série de violentos assassinatos, escondendo o lado obscuro da sua própria personalidade. Enquanto desenvolvia esse trabalho, começou a escrever o roteiro para a sua versão de Naked Lunch, o romance de William S. Burroughs que se converteu no filme Mistérios e paixões.

Por razões tanto artísticas como práticas, a adaptação dessa obra literária para as telas não foi uma simples tradução, mas uma espécie de fusão dos trabalhos de Cronenberg e Burroughs. Para tanto, o cineasta se apoiou não apenas nesse romance que é um ícone da contracultura, Naked Lunch, mas também em outras fontes do mesmo autor, para dar a luz um filme sobre o ato de escrever algo perigoso e complexo, e como isso pode afetar o autor. Rodado em Toronto em 1991, foi estrelado por Peter Weller, Judy Davis, Ian Holm, Julian Sands, Monique Mercure, Nicholas Campbell, Michael Zelniker e Roy Scheider.

Já 1992 foi o ano de M. Butterfly, uma adaptação do sucesso da Broadway que venceu o Prêmio Tony, protagonizado por Jeremy Irons e John Lone. O filme retoma a história real de um diplomata francês que, ao longo de vinte anos, foi obcecado por uma diva chinesa da Ópera de Pequim, sem jamais ter percebido que o objeto da sua paixão era um homem. Quando ambos são presos por espionagem, porém, ele se vê obrigado a encarar essa realidade. Pela primeira vez na filmografia de Cronenberg, muitas cenas foram filmadas no exterior: na China, na Hungria e na França, além do Canadá.

Nesse mesmo ano, sua obra anterior arrecadou oito prêmios Genie, incluindo os de melhor filme, diretor e roteiro. Além disso, a Sociedade Nacional de Críticos de Cinema o elegeu como o melhor diretor, e concedeu uma distinção ao roteiro de Mistérios e paixões. Por outro lado, o Círculo de Críticos de Cinema de Nova Iorque e a Sociedade de Críticos de Cinema de Boston também premiaram o roteiro da adaptação de Naked Lunch.

Em seguida, o cineasta se debruçou sobre Crash, um filme realizado a partir do turbulento romance homônimo de J.G. Ballard. Com Holly Hunter, James Spader, Elias Koteas, Deborah Unger e Rosanna Arquette no elenco, e tendo como tema a tecnologia e o erotismo, a obra gerou grande polêmica em escala internacional. Ganhou o prêmio do júri do Festival de Cannesde 1996 por sua “audácia e inovação”, além de cinco Genies para o melhor diretor, roteiro adaptado, direção de imagem, edição e edição de som. Além disso, obteve o prêmio Golden Reel concedido ao filme canadense de maior bilheteria.

Em 1995, Cronenberg escreveu eXistenZ,cuja inspiração surgiu numa entrevista com o escritor Salman Rushdie, ligada à idéia de um artista que se vê forçado a fugir e a se esconder por estar ameaçado de morte. A heroína da trama é uma designer de jogos de computador, interpretada por Jennifer Jason Leigh, que pretende converter seu trabalho numa obra de arte. O outro protagonista é encarnado pelo ator Jude Law, no papel de um segurança novato que se envolve na trama. Complementam o elenco Willem Dafoe, Ian Holm, Sarah Polley, Don McKellar e Callum Keith Rennie, na pele de vários heróis e vilões que entram e saem do jogo. eXistenZ obteve um Urso de Prata no Festival Internacional de Berlim, em 1999, pela melhor contribuição artística, e um prêmio Genie pela edição, além de ganhar o Urso de Ouro concedido ao melhor filme no Festival Internacional da Catalunha, um prêmio Saturn e indicações para o Golden Reel.

A seguinte realização do cineasta foi Spider, lançado em 2002. Trata-se de um relato sobre a psicose e a difícil reconstrução da realidade; para tanto, a câmera segue um homem que procura recuperar seu passado enquanto lida com a transferência de um sanatório fechado, no qual estava internado, para uma instituição semi-aberta. Adaptado a partir do romance de Patrick McGrath, o filme gerou tanta polêmica como aclamação. Os atores Ralph Fiennes, Miranda Richardson e Gabriel Byrne foram muito elogiados pelas suas atuações, e a obra ganhou vários prêmios, incluindo o de melhor filme Canadense no Festival Internacional de Toronto, melhor filme pela Associação de Diretores do Canadá e melhor direção no Festival Internacional de Sitges. Além disso, Cronenberg ganhou um Genie da Academia Canadense de Cinema, pelo melhor trabalho de direção.

Uma história de violência estreou em 2005, depois de ser apresentado em Cannes e no Festival Internacional de Toronto. O filme se pergunta até onde um homem está disposto a ir em busca da redenção e o que é capaz de fazer para proteger a sua família. Viggo Mortensen desempenhou o papel de Tom Stall, um sujeito que leva uma vida tranqüila e agradável ao lado da esposa, que o ama, numa pequena cidade. Mas um incidente inesperado tem um desfecho trágico, despertando a incômoda atenção dos demais e levando-o a colocar em questão sua própria identidade. Com atores como Ed Harris, William Hurt e Maria Bello no elenco, a obra figurou em várias listas dos dez melhores filmes de 2005, e recebeu as distinções do melhor diretor e do melhor filme na pesquisa Village Voice de críticos de cinema, além de duas indicações para o Oscar Viggo Mortensen trabalhou com David Cronenberg novamente em 2007, como o protagonista de Senhores do crime, um filme obre a experiência dos imigrantes do leste europeu em Londres. O autor do roteiro foi Steve Knight, que previamente tinha sido indicado ao Oscar por Coisas belas e sujas. Em palavras de David Cronenberg, trata-se de “um thriller de máfia e crime entrelaçado com dramas familiares – tudo isso desembocando numa subcultura que vive em meio a outra cultura muito forte”. Naomi Watts faz o papel de uma auxiliar num hospital, e está acompanhada na tela por Armin Mueller-Stahl, Vincent Cassell, Sinéad Cusack e Jerzy Skolimowski. O filme foi apresentado no Festival Internacional de Toronto, onde ganhou o prêmio máximo, o Cadillac, na escolha do público. Tanto o longametragem omo as atuações receberam muitos elogios da crítica, e deram a Viggo Mortensen o Prêmio Britânico de Cinema Independente como o melhor ator, além de uma indicação para o Oscar.

Em julho de 2006, o diretor canadense trabalhou na Academia de Arte de Ontário como curador visitante para a mostra Andy Warhol / Supernova: Estrelas, Mortes e Desastres 1962- 1964. Mais de vinte e cinco pinturas do artista foram combinadas com dezenas de seus filmes raramente vistos, numa exibição exclusiva. Além disso, foi criada uma trilha sonora original para guiar os visitantes, com comentários adicionais de vários contemporâneos de Warhol como o ator Dennis Hopper, a crítica de cinema Amy Taubin e o artista James Rosenquist.

Ao longo de 2008, David Cronenberg se dedicou à adaptação de A mosca para a ópera, estreando no Teatro Châtelet de Paris e seguindo, depois, para uma temporada na Opera de Los Angeles. A fim de produzir esse espetáculo, trabalhou com Placido Domingo pela primeira vez, mas também se reencontrou com David Henry Hwang para fazer o libreto, que já tinha colaborado com ele em M. Butterfly, além de Howard Shore para a partitura e Denise Cronenberg para o figurino.

O cineasta também tem experiência em televisão, pois dirigiu dois documentários dramáticos para a série Scales of Justice, da Canadian Broadcasting Corporation, que recria casos criminais reais. Além disso, rodou um polêmico comercial para a empresa Nike, e um curta-metragem, Câmera, para comemorar o 25o aniversário do Festival Internacional de Toronto.

Esse último foi, aliás, o primeiro a homenagear o diretor com uma retrospectiva realizada em 1983. Além disso, a Academia Canadense de Cinema publicou o livro intitulado The Shape of Rage: the Films of David Cronenberg, uma abrangente antologia de ensaios críticos sobre o seu trabalho, que foi atualizada em 1990 pela Cinemateca de Quebec para a sua distribuição na Europa. Mais recentemente, em 2001, a editora da Universidade de Toronto publicou The Artist as Monster: The Cinema of David Cronenberg, de William Beard, e em 2000, Lês Cahiers du Cinéma publicou uma coleção de entrevistas. Por outro lado, em 1991, o diretor de documentários britânico Chris Rodley preparou a edição de Cronenberg on Cronenberg, publicada em Londres. Dois anos mais tarde, em sintonia com a estréia de M. Butterfly, esse livro foi atualizado e reeditado. Rodley também dirigiu dois filmes sobre o cineasta canadense: Long Live the New Flesh e The Making of Naked Lunch.

A retrospectiva mais completa do trabalho de David Cronenberg, porém, foi montada no Japão em março de 1993. Patrocinada pela loja de departamentos Seibu de Tóquio, pelos governos de Ontário e do Canadá, além da Cinemateca e do Festival Internacional de Cinema de Ontário, o evento teve duração de duas semanas e incluiu exibições de todos os filmes de Cronenberg, tanto aqueles realizados para o cinema como os que ele fez para a televisão e, inclusive, seus comerciais. Em paralelo às exibições cinematográficas, foram expostos trezentos artefatos, suportes e pôsteres, além de vários bonecos usados para realizar os efeitos especiais de seus filmes, entre os quais cabe destacar mais de uma dúzia de mugwumps e a sex blob de Mistérios e paixões.

Retrospectivas recentes aconteceram no Festival de Outono de Paris e no Centro Cultural Canadense, em 2000, e no ano seguinte em São Paulo, no Carlton Arts Festival. Por outro lado, o Museu da Imagem em Movimento de Nova Iorque hospedou uma retrospectiva de seus filmes no começo de 1992, coincidindo com o lançamento de Naked Lunch. Outras retrospectivas aconteceram no Festival de Filmes Fantásticos de St. Malo, na França; na Quarta Exposição Internacional de Fantasia e Ficção Científica de Roma; no Festival de Edimburgo; no Festival de Metz, na França; no Fantasporto Festival em Portugal e na Cinemateca Francesa.

Em 1998 e durante dois meses, por sua vez, uma galeria de Nova Iorque recebeu a exposição intitulada Ópticas Espetaculares, com a participação de um grupo de artistas visuais que partilham afinidades temáticas e que foram influenciados pela produção de David Cronenberg. A mostra incluiu diversos elementos dos filmes, como desenhos e peças dos cenários.

Ao longo dos últimos anos, David Cronenberg atuou em vários filmes. “Quando trabalho como escritor, eu começo a me sentir desconectado do set de filmagem, como num tipo de estranha fantasia da qual eu sou na verdade o diretor”, explicou o cineasta, e concluiu: “atuar é uma maneira simples de me reconectar com o set de filmagem”. Assim, fez uma aparição como um mafioso em To Die For ou Um sonho sem limites, de Gus Van Sant; interpretou um criminoso em Moonshine Highway, de Andy Armstrong; apareceu em Trial by Jury com Armand De Sante e em The Stupids, de John Landis. Também desempenhou papéis nos filmes canadenses Henry and Verlin, Blood and Donuts e, mais recentemente, em Last Night, de Don McKellar, logo após ter sido o protagonista do curta-metragem Blue, do mesmo diretor. O cineasta também trabalhou como ator em Resurrection de Russell Mulcahy, em The Judge de Mick Garris, e em Jason X de James Isaac. Em 2003, ainda, Cronenberg fez uma aparição na aclamada série de J.J. Abrams, Alias, interpretando o cientista de memória experimental Dr. Brezzel.